Perturbação Obsessivo-Compulsiva: o ritual do caos

January 5, 2015

Ao longo do tempo, os rituais acompanham o Ser Humano e as sociedades, como uma forma de minimizar o caos através da organização e tradição. No entanto, os rituais relacionados com a Perturbação Obsessivo-Compulsiva podem gerar o caos psicológico, na medida em que os pensamento desagradáveis e recorrentes (obsessões) e/ou comportamentos repetitivos e ritualizados (compulsões) têm um impacto significativo na vida da pessoa e dos familiares.

O quadro ansioso que acompanha esta perturbação é desencadeado por pensamentos invasivos que geram comportamentos repetitivos como meio de aliviar a ansiedade. As pessoas que sofrem estes sintomas, na maioria das vezes, têm consciência que as suas obsessões e compulsões são irracionais e/ou excessivas, mas não as conseguem controlar.

Os sintomas estão relacionados com ideias exageradas e irracionais de saúde, higiene, organização, simetria, perfeição ou “manias” e "rituais" que são incontroláveis ou dificilmente controláveis e podem se manifestar isolada ou simultaneamente entre eles.

No que diz respeito às obsessões mais comuns circunscrevemnoções de sujidade, de existência de germes e de contaminação; medo de contrair uma doença infecciosa como a SIDA ou Hepatite; medo de ter comportamentos agressivos ou violentos, que escapem ao controlo do próprio; sentimentos extremos de responsabilidade pela segurança de outros, como por exemplo, o medo irracional de ter atropelado alguém; pensamentos religiosos repetitivos (blasfémias) e de conteúdo erótico; preocupação exagerada pela ordem, organização e simetria; e incapacidade para deitar fora bens inúteis ou já deteriorados.

Em relação às compulsões mais incidentes estão as lavagens excessivas (particularmente das mãos e banho); rituais de limpeza, esterilização e verificação; acções repetitivas como tocar, contar, colocar em ordem e coleccionar; comportamentos ritualizados que procuram diminuir a possibilidade das obsessões se instalarem (e. g. esconder objectos cortantes, para não correr o risco de ferir alguém com eles); actos de tipo supersticioso que ajudam a reduzir o medo das obsessões (e. g. vestir só de determinadas cores), etc.

A Perturbação Obsessivo-Compulsiva pode apresentar-se em comorbilidade com outras Perturbações deespectro ansiogénico, tais como depressão, ansiedade, parafilia, tricotilomania(necessidade de arrancar pêlos das sobrancelhas ou cabelos), anorexia, dimorfofobia(aparecimento de preocupações excessivas com pequenos ou mesmo inexistentes defeitos do corpo),Tourette (presença de tiques) entre outros.

Os sintomas podem iniciar-se na infância, no entanto, é mais frequente manifestarem-se na adolescência e no início da idade adulta. As causas exactas da doença são desconhecidas, no entanto, os investigadores acreditam que há factores genéticos, químicos e psicológicos associados. O desequilíbrio químico em um ou mais dos sistemas que regulam os comportamentos repetitivos podem originar o aparecimento da doença, funcionando os factores psicológicos e de stress como agravantes dos sintomas.

Por vezes os sintomas são impeditivos de uma vida normal, podendo causar prejuízo na vida diária, nas actividades profissionais, nas relações familiares, conjugais e sexuais, e, por vezes, podem culminar numa hospitalização.Estima-se que a Perturbação Obsessivo-Compulsiva atinja cerca de 2 a 3% da população, sendo o quarto diagnóstico psiquiátrico mais frequente.

Idealmente, o tratamentodeve ser efectuado na fase inicial da doença, caso contrário, o quadro pode se agravar, tornando-se numa doença crónica. É necessário fazer uma avaliação com um psiquiatra e com um psicólogo para tentar perceber as causas, de que forma se manifestamos sintomas, bem como a sua intensidade. Em alguns casos, com o tratamento a perturbação desaparece, noutros pode ficar com sintomas residuais. O tratamento combinado entre psicoterapia e psiquiatria é o mais recomendado, pois  tem apresentado melhores resultados.

 

Por Dra. Erika Morbeck

Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta, Sexóloga e Terapeuta Sexual

 

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