Pânico: o medo da morte que dá sentido a vida

April 30, 2015

Quem nunca pensou na morte? O acontecimento da morte é comum a todos os seres, mas o pensamento da morte é exclusivo do homem. Desde os primórdios da existência do ser humano, o Homem tenta explicar a morte com a vida, relacionando constantemente o prazer, a paixão, o amor, o sexo, a reprodução e a produtividade como uma forma de enfrentar e/ou fugir a morte.

 

Praticamente a missão de vida do Homem foi fugir à morte e ao perigo eminente de morte. A ciência biomédica avançou e atingiu um nível que logra o limite do humano no que diz respeito a manutenção da vida. Trata-se de um fenómeno social e humano: a preservação da vida, um sentido para a vida e o evitamento da morte.

 

Quando alguém manifesta um sintoma físico, tende a procurar um médico, em busca de um diagnóstico e um tratamento, geralmente, a procura de uma medicação. Mas quando os sintomas físicos são de facto causados por um factor psicológico?

 

A Perturbação do Pânico é uma psicopatologia que engloba sintomas fisiológicos de carácter vertiginoso, cardíaco, respiratório, digestivo e sintomas de perturbação do sono. São estes: taquicardia, tonturas, tremores, náuseas, arrepios ou calores, falta de ar ou sufoco, sudação, dor torácica, parestesias (formigueiros) e insónias.

 

No entanto, também possui sintomas psicológicos associados, tais como: medo de enlouquecer, medo de morrer, despersonalização (irrealidade) ou desrealização (desligado de si próprio) e um elevado nível de ansiedade, medo, desconforto e sensação de perigo e/ou de catástrofe.

 

Estes ataques são acompanhados de uma sensação de impotência em controlar os pensamentos e o comportamento. São episódios inesperados em que a pessoa desenvolve um medo excessivo da repetição das sensações e pensamentos experienciados, bem como o medo sobre as possíveis consequências desta experiência, tendo como consequência um estreitamento do pensamento e no foco de atenção, recorrência das crises de pânico, a ansiedade por antecipação, a depressão secundária, o evitamento agorafóbico e a atitude hipocondríaca.

 

Geralmente, a pessoa que sofre de pânico procura primeiramente um médico com suspeita de um problema cardíaco, mas depara-se com o diagnóstico de Perturbação do Pânico. Sua origem é multifactorial, ou seja, compreende factores genéticos, biológicos, psicológicos e sociais.

 

Estudos demonstram que as mulheres têm duas vezes mais probabilidade de sofrer uma perturbação de pânico. Cerca de 10 a 12% da população já experienciaram pelo menos um ataque de pânico, no entanto,  apenas entre 2 a 6% manifestam o diagnóstico de perturbação de pânico.

 

Os sintomas associados a Perturbação de Pânico podem surgir em qualquer idade, no entanto, o seu aparecimento é mais comum em momentos de transição, como o fim da adolescência e aos 35 anos. Os factores precipitantes normalmente manifestam-se num período de vida em que a pessoa está sujeita a um grande nível de stresse (doença grave, separação, perda,  problemas financeiros ou profissionais, sobrecarga de responsabilidades).

 

Geralmente os episódios iniciais ocorrem em transportes públicos,  multidões, cinemas, elevadores ou túneis, carro, ou seja, durante a sua rotina diária.

 

Por vezes, o diagnóstico da perturbação de pânico, pode estarassociado, em comorbilidade, aoutras patologias, tais como a depressão, perturbação obsessivo-compulsivo, perturbação da ansiedade generalizada e fobias.

 

A perturbação do pânico tem tratamento.É recomendado fazer inicialmente uma avaliação física e emocional com um psiquiatra e um psicólogo e seguir a recomendação indicada, que pode ser terapia farmacológica e/ou psicoterapia. O medo da morte e o medo de enlouquecer desencadeiam o pânico, ocupam o pensamento e a vida do indivíduo, ganham importância na sua rotina, no seu pensamento, no seu comportamento, condicionando o sentido da vida. A falta pânico por sua vez, daria espaço para reatribuir um sentido que até então era evitado, a pessoa terá que parar respirar e para pensar a mudança de si mesmo e da sua existência.

 

Por Dra. Erika Morbeck

Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta, Sexóloga e Terapeuta Sexual

 

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